terça-feira, 23 de outubro de 2007

Do gramofone ao CD

Professor do Instituto de Artes resgata histórias dos primórdios da indústria fonográfica
ANTONIO ROBERTO FAVA

O Brasil foi o primeiro país do mundo responsável pela produção de um disco com gravações de ambos os lados. Trata-se da canção Isto é Bom, um lundu de Xisto Bahia, na voz de Bahiano, lançada em 1902. “Nos países da Europa e Estados Unidos, isso só foi acontecer anos mais tarde”, lembra com orgulho o professor Eduardo Anderson Duffles Andrade, titular das disciplinas de Prática de Estúdio e Equipamentos, do curso de Música Popular e Música Industrializada, do curso de Música Erudita, do Instituto de Artes da Unicamp. Pesquisador meticuloso, Andrade é uma fonte inesgotável de histórias quando o assunto é a evolução da indústria fonográfica nacional. É vasto o repertório de suas pesquisas.

Uma dessas histórias, por exemplo, diz respeito à primeira audição de um disco feita no Brasil. Numa cena imaginária, mas fiel aos relatos da época, como registra o livro A Casa Edison e seu Tempo, de Humberto Fransceschi, olhos e ouvidos ficavam atentos ao som que saía do aparelhinho, uma caixa de madeira que, na parte superior, sustentava uma corneta. O som era um tanto fanhoso. A agulha deslizava vagarosamente por entre os sulcos desenhados no acetato. Ao redor do aparelhinho, homens e mulheres apreciavam uma canção da época: Casinha Pequenina, cantada por Mário Pinheiro para a Casa Edison, Rio de Janeiro, para a qual o artista trabalhava por um salário de 40 mil réis.

Postado por Carmen dos Humides

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